A inteligência artificial no campo acabou com a assimetria de informação entre quem vende e quem compra no agronegócio. Neste episódio do Rural Talks, conversamos com Marlon Denez, diretor de soluções digitais para milho da Bayer, sobre como o produtor passou a conferir recomendações no chatbot antes de decidir. Discutimos o papel do VAlora na prescrição de sementes, o futuro do agrônomo e o uso real dos dados gerados na fazenda.
Como a inteligência artificial no campo mudou a relação com o produtor
Em primeiro lugar, o Brasil está entre os países que mais usam IA no mundo, e o agricultor não ficou de fora. Portanto, o produtor que antes chegava com um calhamaço de análises de solo impressas hoje grava a conversa com o vendedor, consulta a IA e decide com o print na mão. Além disso, Marlon estima que a adoção no campo esteja entre 10% e 30% e que, quando virar a chave, a prática vai se tornar regra. Consequentemente, quem vende sem base técnica fica exposto mais rápido, enquanto o bom profissional ganha um copiloto.
Por outro lado, a abundância de dados não garante boas decisões. Dessa forma, o produtor gera informação em todas as operações, mas ainda transforma pouco disso em ação, como mostra a taxa variável parada na plantadeira: entre 30% e 40% das máquinas têm a função, e poucas a utilizam. No entanto, o VAlora é um exemplo de aplicação prática, com prescrição de população de plantas em 500 mil hectares, sem custo para quem usa sementes Bayer e com a decisão final nas mãos do produtor. Dessa maneira, com a conectividade avançando até em pequenas propriedades, o sinal deixou de ser desculpa.
O futuro do agrônomo na era da IA
Ademais, a tecnologia deixou de ser diferencial de quem vende e virou ferramenta de quem compra. Dessa maneira, consultores que adotaram a IA passaram a entregar relatórios melhores em menos tempo, mas o risco de um trabalho mal revisado também cresce. A inteligência artificial no campo, segundo Marlon, não substitui o agrônomo curioso, mas expõe quem confunde movimento com performance. No fim, a IA mostra, em muito menos tempo, que tipo de profissional cada um é.
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