O controle biológico ganhou escala no Brasil e já disputa espaço com os defensivos químicos nas grandes culturas. Neste episódio do Rural Talks, conversamos com Gustavo Herrmann, CEO da Koppert Brasil, sobre como a líder global do setor produz insetos e microrganismos em escala em Piracicaba (SP). Discutimos por que o biológico precisa entrar no lugar do químico, e não em cima dele, a aplicação com drones e o futuro do manejo integrado de pragas.
Por que o controle biológico precisa reduzir o custo total
Em primeiro lugar, o produtor não controla o preço de venda nem o clima, já que cerca de 90% da área agrícola brasileira é de sequeiro. Portanto, a única variável sob o seu controle é o custo, e qualquer tecnologia levada ao campo precisa reduzi-lo e aumentar a produtividade. Além disso, Gustavo explica que, se o manejo prevê seis entradas de biodefensivos em uma safra de soja, elas devem substituir pelo menos seis aplicações químicas. Consequentemente, como o ticket médio do biológico é menor, o custo total cai e, em 90% dos casos, a produtividade sobe.
Por outro lado, o mercado ainda tem muito espaço para crescer. Dessa forma, o controle biológico representa hoje cerca de 7% de um mercado de US$ 18 bilhões em defensivos no Brasil, e aproximadamente 10% da área tratada. No entanto, o crescimento depende de três pilares: qualidade do produto, logística da fábrica até o campo e transferência de conhecimento ao produtor. Dessa maneira, quando um desses pilares falha, o biológico chega morto ou é usado como químico, e o resultado não aparece.
Drones, escala e a transição fitossanitária no agro
Ademais, a logística de organismos vivos exigiu inovação na aplicação: hoje, a liberação de Trichogramma na cana é feita 100% por drones, com uma frota de mais de 150 equipamentos e cerca de 110 pilotos. Dessa maneira, um dispositivo leve cobre de 250 a 500 hectares em uma operação que antes exigia trator e milhares de litros de água. O controle biológico, segundo Gustavo, faz parte de uma transição fitossanitária que deve inverter a lógica do manejo nos próximos dez anos. No fim, as tecnologias menos agressivas tendem a ser a primeira opção, e o químico, a complementar.
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