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· 30 set 2026

· Atualizado em 3 nov 2026

· Nathalia Schrnoveber

#RW15: Irrigação inteligente e empreendedorismo com Fabiane Kuhn, da Raks

#RW15 Irrigação inteligente e empreendedorismo com Fabiane Kuhn, da Raks

A irrigação inteligente deixou de ser um projeto de laboratório para se tornar uma ferramenta de decisão para produtores de diferentes culturas no Brasil. Neste episódio do Rural Women, Sarah Bernardo conversa com Fabiane Kuhn, CEO e cofundadora da Raks Tecnologia Agrícola, sobre como uma pesquisa de escola técnica, motivada pela crise hídrica de 2015, virou uma agtech. Discutimos os primeiros protótipos, os desafios de transformar tecnologia em produto, o ponto de equilíbrio financeiro e a expansão internacional para a Costa Rica.

Da crise hídrica à irrigação inteligente

Em primeiro lugar, a história da Raks começa longe da fazenda: numa escola técnica de eletrônica em Novo Hamburgo (RS). Diante das notícias do Sistema Cantareira operando no volume morto, Fabiane e seu colega Guilherme Ramos foram conversar com produtores e perceberam que o problema não era o uso da água, mas a forma de decidir quando irrigar, muitas vezes feita no olho ou no “bico da botina”. Portanto, a irrigação inteligente surgiu como resposta a uma decisão complexa, que o produtor precisa tomar em meio a dezenas de outras tarefas. Além disso, sem encontrar um sensor de umidade do solo que funcionasse bem, a dupla decidiu desenvolver o próprio equipamento, premiado em feiras de ciência no Brasil e nos Estados Unidos.

Por outro lado, transformar o protótipo em produto exigiu muito mais do que conhecimento técnico. Dessa forma, a empresa foi aberta em 2017 e só em 2019 chegou a uma versão estável em campo, resistente a sol e chuva. Hoje, a tecnologia de sensores com conectividade via satélite e celular monitora cerca de 5 mil hectares, em mais de 20 culturas e 11 estados, com forte presença entre pequenos e médios produtores de café e frutas. Consequentemente, a irrigação inteligente ajuda o produtor a economizar água e energia e a produzir mais com o mesmo recurso.

Empreendedorismo, educação e mulheres na tecnologia

Ademais, a trajetória de Fabiane mostra o peso da educação pública e dos professores na formação de novas lideranças do agro. Filha de uma família sem ligação com o campo, ela enfrentou noites no laboratório, uma equipe que caiu de 12 para cinco pessoas e a adaptação durante a pandemia até a Raks atingir o ponto de equilíbrio, em 2025. A irrigação inteligente, nesse caso, também é um exemplo de como ocupar espaços ainda predominantemente masculinos na tecnologia e no agronegócio. No fim, como resume Fabiane, um passado improvável não significa um futuro impossível.

Confira o episódio completo no Spotify ou YouTube:

Por Nathalia Schrnoveber

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